Bowling for Columbine (2002)


Bowling for Columbine, real. Michael Moore. Alemanha/Canadá/EUA, 2002. 35mm, cor e pb, 120 min.

Um documentário de Michael Moore é uma obra política, que reconfigura a percepção do mundo visto dos EUA. Neste filme, o massacre no liceu de Columbine perpetrado por dois jovens estudantes, em Littleton, CO, é a causa da inquietação do cineasta. Esse acontecimento suscita questões pertinentes sobre a violência provocada pelo uso de armas de fogo. O inquérito afasta-o desta origem, para longe do país, para compreender as implicações do tema e a vida nos EUA num contexto mais alargado. As perguntas interessam mais do que as respostas: enquanto as segundas são sempre insuficientes e plurais, as primeiras abrem hipóteses, criam uma teia complexa que envolve a história e a cultura. O método e a estratégia são expostos através da imagem do realizador. Pode haver algo de narcisista nisso, mas assumindo a primeira pessoa, ele dá um passo para confrontos temerários e não se exclui da equação, como cidadão americano que é. Por isso, o discurso de Moore é tecido de paradoxos e manipulações, porque o propósito principal parece não ser veicular uma mensagem para uma maior consciência social. Não há denúncia com vista à consciencialização no sentido estrito, mas uma discussão através de uma inventiva montagem de dados, registos, encenações, testemunhos, entrevistas, animações, canções, e números. Questionando a definição e os limites do filme documental, o cineasta constrói uma ficção que, no seu humor e habilidade, revela sobretudo o absurdo expresso no título: Bowling for Columbine. [01.04.2010, orig. 08.2003]